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Um dia desses, durante algumas reflexões sobre a vida, me peguei pensando em toda a trajetória dos meus 40 anos de convivência com o Diabetes.

Quantas coisas aconteceram nessa longa estrada! Desde o choque inicial para meus pais, do luto do diagnóstico até à luta diária contra as glicemias teimosas. Foram muitos desafios tanto para meus pais quanto para mim, uma criança em início de fase escolar.

Apesar de ter sido agraciada por ser filha de um farmacêutico bioquímico, imagino que meu pai não teve condições de lidar com o diagnóstico em 1979. Tudo era completamente diferente dos dias de hoje. Nada teria sido possível sem a presença do Dr. Amadeu, nosso querido pediatra na época. Foi ele quem deu o diagnóstico para meu pai, ainda pelo telefone (o Dr. Leonardo Peach não aguentou esperar a consulta).

Desde muito pequena, com 2 anos e 11 meses, meu dia a dia passou a incluir visitas ao pediatra e ao endocrinologista. Ao longo dos anos, em meio a tantas hemoglobinas glicadas complicadas e tiras reagentes para medir a glicose ainda na urina, novos médicos foram entrando em minha rotina, entre eles o oftalmologista e o ginecologista.

Foi na passagem da adolescência para a fase adulta, já no primeiro ano de faculdade que o baque de um Diabetes mal controlado (mesmo com todo o cuidado que meus pais tinham comigo) veio cobrar uma conta alta a se pagar: diagóstico duplo de retinopatia e nefropatia. E por quê?

Além do fato de ambas terem ligação direta com o sistema microvascular – e que é afetado pelas glicemias altas durante um longo prazo1 – eu não havia feito acompanhamento com um nefrologista (para checar a saúde dos meus rins) e também não cuidei da minha visão com um especialista em retina, o retinólogo, já que na cidade onde morávamos não existia esse profissional na época. Foi um verdadeiro caos!

O ano era 1997, eu estava morando longe dos pais, com aulas, viagens, buscando estágio. Tudo parou. E mais uma vez, tive a sorte de cruzar em meu caminho dois médicos cruciais no tratamento e no meu “acordar”: um nefrologista quase “militar” que me levou à hemodiálise quase como um choque de realidade, justamente com o objetivo de abrir meus olhos para o caminho que eu estava seguindo.

Talvez minha maior sorte tenha sido encontrar em tempo o tratamento conduzido por duas oftalmologistas especialistas em retina, que iam de São Paulo para Araraquara aos fins de semana e, literalmente, “salvaram” meus olhos diante de um diagnóstico agudo de retinopatia diabética proliferativa. Sem elas eu poderia ter perdido a visão. E minha gratidão eterna segue nessa caminhada, com os médicos que hoje me acompanham.

Todos, todos, sem exceção, foram – e continuam sendo – anjos em minha vida. E, com certeza, na vida de todos nós. Seja por cuidar das complicações, seja por prevenir o aparecimento de outras. Profissionais que dedicaram grande parte de suas vidas ao estudo do corpo humano e que aprenderam a cuidar dessa máquina merecem nosso respeito!

Por isso, fiz questão de escrever essa linha do tempo, contando um pouco sobre a importância que todos os doutores passaram pela minha vida! E aqui deixo minha mais sincera homenagem a todos os profissionais que nos acompanham, dedicam seu tempo para cuidar de vidas, para que possamos viver mais e muito melhor.

Com base em minha experiência, deixo aqui uma listinha de médicos para você refletir sobre a importância de iniciar (ou manter) seu tratamento. Afinal, cuidado nunca é demais! Confira:

  • Oftalmologista, especialista em retina – doenças da retina podem ser uma complicação do Diabetes. Pelo menos uma vez ao ano, visite um oftalmologista!

  • Endocrinologista – especialista que cuida dos transtornos das glândulas endócrinas, sendo uma delas o pâncreas. São especialistas fundamentais no auxílio ao paciente com diabetes para seu tratamento ao longo da vida. As visitas ao endócrino devem ser mais periódicas.

  • Nefrologista – especialidade médica dedicada ao diagnóstico e tratamento clínico das doenças do sistema urinário, principalmente relacionadas ao rim. É importante a visita ao nefrologista pelo menos uma vez ao ano.

  • Cardiologista – o especialista na saúde do coração é fundamental para pacientes hipertensos, com sobrepeso, vida sedentária. A visita anual ao cardiologista também é recomendada.

  • Outros profissionais de saúde – Também é aconselhável a visita regular (anual) ao dentista e ao nutricionista.

É importante fazer acompanhamento médico regular. Clique aqui para encontrar um oftalmologista, especialistas em cuidados com a retina ou para localizar um médico especialistas em Diabetes (endocrinologistas).

Sou Aline Peach, tenho 42 anos e 40 anos de Diabetes Tipo 1. Quer conhecer um pouco mais do meu trabalho? Acesse o site Clube do Diabetes e me siga no Instagram no perfil @clubedodiabetes

Aline Peach / Clube do Diabetes


Referências

1. SABROSA, Nelson Alexandre; SABROSA, Almyr Sávio; GOUVEA, Katia Cocaro and GONCALVES FILHO, Paiva. Tratamento cirúrgico da retinopatia diabética. Rev. bras.oftalmol. [online]. 2013, vol.72, n.3 [cited 2019-10-15], pp.204-209. Disponivel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-72802013000300015&lng=en&nrm=iso ISSN 0034-7280. http://dx.doi.org/10.1590/S0034-72802013000300015.

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