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Bastava eu ligar para casa e ouvir aquele “oi, filha!” que meu coração se acalmava. Quantas ligações trocamos, conversando sobre exames de sangue, falando sobre medos, sobre o futuro e tantos outros assuntos que nunca foram suficientes para acabar com minha curiosidade!

Meu pai, que era farmacêutico bioquímico apaixonado pelo que fazia, também era um profissional de marketing daqueles que a gente para pra escutar tendências e ainda dava aulas de economia! Se naquela época já existisse internet, eu poderia dizer que o Sr. Leonardo Thomas Peach funcionava quase como um Google em nossas vidas.

Quando ele e minha mãe receberam o diagnóstico do Diabetes para a filha de 2 anos e 9 meses, a reação deles veio acompanhada de algumas lágrimas. Há pouco tempo soube pela minha mãe que, ao desligar o telefone, meu pai caiu no choro e disse: “Bi, não vamos ver nossa filha fazer 35 anos”. Foi como se, naquele momento, eu tivesse recebido uma sentença de morte.

E ele de fato não me viu chegar aos 35 anos: partiu pouco antes dos meus 34, pedindo para que eu continuasse a me cuidar porque um dia talvez a cura pudesse chegar.

Meu pai e minha mãe foram os meus primeiros “Diabetes Tipo 3” (como são carinhosamente apelidadas as pessoas que convivem com quem tem diabetes e acabam nos ajudando com os cuidados e participando de todo o processo). Desde o início, eles se revezavam nos cuidados daquela criança, para evitar que o pior um dia acontecesse. Quantas e quantas coisas chegavam naquelas malas na volta de cada Congresso Médico! Novidades diet, tênis para esporte, brinquedos educativos, meu primeiro glicosímetro (que me deixava apavorada) e o primeiro aspartame lançado nos EUA, que ainda não existia por aqui.

O Sr. Leonardo se dedicou a muitas pesquisas, foi buscar até respostas para meu caso na homeopatia, sem muito sucesso. Já falava, nos anos 90, em transplante de células beta, células tronco, preparava antioxidantes com ingredientes que hoje estão na moda: cúrcuma, vitamina C ou E. Era esse cara que tinha respostas para tudo que me inspirava e que hoje é minha maior referência para o trabalho que venho realizando.

Hoje, 9 anos depois que ele se foi e toda vez que a saudade aperta, me lembro das conversas e de todo o legado que ele deixou para mim e para minha irmã: os valores, as paixões, a dedicação, a família. Seu amor pela saúde me contaminou aos poucos e hoje sinto como se ele estivesse comigo em alguns momentos, como quando paro para escrever algum texto. Como sou grata por tudo o que ele fez e foi para mim!

Fico imaginando quantas noites de sono ele pode ter perdido pensando no que poderia ser de mim, quantas preocupações levei a ele e minha mãe na minha fase mais difícil da adolescência ou quando as complicações apareceram. Como deve ter sido difícil!

E por essa razão, escrevo hoje esse texto em homenagem a todos os “pais-pâncreas”, ou pais “Diabetes Tipo 3” que por ventura estejam lendo minha mensagem: mesmo que o medo te atormente, acredite no potencial do seu filho. Os avanços de hoje farão com que as pessoas que vivem com Diabetes sejam mais saudáveis, conscientes, com acesso. Tudo é muito diferente de 40 anos atrás. E o seu carinho e sua atenção vão fazer toda a diferença não só no tratamento, como também na vida de seu filho. Acredite!

E para você quem é o seu ‘Diabetes tipo 3’, aquela pessoa que está sempre ao seu lado e De Olho no seu Diabetes?

Não deixe para depois a oportunidade de continuar enxergando a vida de uma forma clara ao lado das pessoas que você ama. O De Olho no Diabetes pode te ajudar com isso, acesse a aba Encontre seu Médico para localizar um especialista em retina próximo a você.

Feliz Dia dos Pais para todos nós!

Sou Aline Peach, tenho 42 anos e 40 anos de Diabetes Tipo 1. Quer conhecer um pouco mais do meu trabalho? Acesse o site Clube do Diabetes e me siga no Instagram no perfil @clubedodiabetes

Aline Peach / Clube do Diabetes

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